Maus vícios, boa memória

By ruipedroantunes

“O consumo moderado de álcool pode ser benéfico para a memória”. Quem o afirmou foi Cláudia Pereira investigadora do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra. Numa conferência realizada no dia 21 de Novembro, no Museu da Ciência em Coimbra, a cientista disse também que “a cafeína previne o declínio da memória”.

Com uma dinâmica diferente dos habituais colóquios, Cláudia Pereira conseguiu captar a atenção de uma bancada pouco preenchida. Desde o estacionamento do Dolce Vita ao rato Mickey, foram vários os elementos que a cientista usou para explicar a tipologia da memória.

A criatividade da conferência não ficou por aqui. Uma figura do “À procura do Nemo”, e o rosto de Valentim Loureiro serviram de acompanhamento pictórico à distinção entre amnésia orgânica e psicogénica. Ironias à parte, Cláudia Pereira explicou que a tão desejada “cura” para a amnésia é quase inatingível. No entanto, a investigadora deixou algumas sugestões para melhorar a memória. “Dormir bem, ter uma alimentação saudável e desenvolver uma actividade física regular” fazem parte deste ‘fitness cerebral’.

Numa análise à investigação científica, a especialista falou de ‘memória artificial’ que até “já foi testada, com êxito, em ratinhos e na mosca da fruta”, através da implantação de genes. As soluções mnemónicas perseguiram com um diapositivo intitulado “Viagra para o cérebro”, onde se dissertou acerca da “era da cosmética neurológica”. Neste âmbito cada vez mais se procura combater a perda da memória com recurso a substâncias, mas há provas de que essa luta pode passar por hábitos banais.

No final Cláudia Pereira aproveitou para elogiar uma campanha da Sony, que tem vindo a incentivar os jogadores de Playstation 3 a participarem em testes sobre a memória.

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