Lembrança ou esquecimento?

By patriciacosta

Recorde os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos. Imagine, agora, que não se lembra do que fez há uma semana. Pois é. Para além de vários tipos de memória, de curta ou longa duração, declarativa ou episódica, também se pode sentir a ausência de recordações.Na sequência deste exercício mnemónico, imagine que o álcool pode ser benéfico para a memória, mas em consumo moderado, ou então que três chávenas diárias de café podem melhorar o desempenho mental, sobretudo em mulheres com mais de 65 anos.

Foram estas as grandes novidades apresentadas pela investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (UC), Cláudia Pereira, na conferência “Quando a memória nos atraiçoa”, realizada quinta-feira, 22 de Novembro, no Museu da Ciência, na cidade dos “estudantes”.

Segundo estudos epistemológicos, a cafeína pode retardar ou mesmo prevenir o declínio da memória. Até o banal jogo do Sudoku pode servir de bengala à reminiscência dos factos. É, pois, parte integrante duma panóplia de exercícios “fitness” para o cérebro, na qual prefiguram, entre outros, a aprendizagem de novas habilidades, a recuperação de uma alimentação saudável ou dormir bem.

Na semana da ciência e da tecnologia, Cláudia Pereira explica “que vivemos na era da cosmética neurológica”. As “smart drugs”, estimulantes cognitivos, não são mais do que “botox para o cérebro”. Se este tem por objectivo o preenchimento de tecidos com umfim estético, os estimulantes tem por intuito melhorar a performance de pessoas “normais”, adulterando-lhes o sistema psicossomático.

Medicamentos como Brain Speed ou Memory Modafinil, prescritos para pessoas que têm uma sonolência profunda durante o dia, são utilizados excessivamente pelos estudantes, em épocas de exames. Os “alicerces” do estudo mantêm os níveis de concentração bem altos, e acima de tudo, rentabilizam o trabalho, despertando a mente pelo menos ao longo de 40 horas. “Os fármacos estão a ser comercializados em grandes quantidades e em pessoas que não têm quaisquer patologias”, alerta a investigadora da Faculdade de Medicina da UC.

Memória versus amnésia

A amnésia ou a doença de Alzheimer são problemas que afectam, cada vez mais, o ser humano. Enquanto a primeira é a perda parcial ou total da capacidade de reter e evocar informação, causada por distúrbios no funcionamento das células nervosas ou mesmo por traumatismos, a segunda, actualmente sem cura nem terapêutica preventiva, é progressiva e fatal. Com incidência comum nos idosos, é a inquietação dos tempos actuais, afectando já 18 milhões de pessoas em todo o mundo.

O stress, a depressão ou a simples falta de vitamina B1 podem estar na causa da amnésia; já na Alzheimer, uma mutação de genes ou factores de risco como a idade, o Síndrome de Down, baixo nível de literacia, doenças vasculares ou uma dieta podem comprometer a saúde mnésica dos indivíduos.Cláudia Ferreira apontou, por fim, algumas das consequências da perda progressiva de memória: desorientação temporal e geográfica, incapacidade de resolução de problemas do dia-a-dia, dificuldade na linguagem ou o desenvolvimento de complicações motoras.

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