Cafeína e Álcool: dois “cosméticos cerebrais”

By catarinafrias

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 “Estudos epidemiológicos mostram que o consumo reduzido a moderado de álcool pode ser benéfico para a memória”, refere Cláudia Pereira do Centro de Neurociências, numa conferência no Laboratório Chimico. O estudo vem contrariar posições anteriormente fundamentadas acerca do efeito do álcool para o comportamento cerebral humano.
Cláudia Pereira, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, acrescenta ainda que estudos realizados em França mostram que a ingestão diária de mais de três chávenas de café melhoram o desempenho, em testes de memória, das mulheres com mais de 65 anos.
As revelações foram feitas a propósito da conferência “Quando a memória nos atraiçoa”, integrada nas Conversas com Cientistas a propósito da Semana da Cultura Científica no Museu da Ciência, que decorre de 20 a 24 deste mês.
“O efeito da cafeína é muito semelhante a alguns fármacos usados no tratamento da amnésia, uma vez que retarda e previne o declínio da memória”, explica a investigadora. Desta forma, os fármacos, a que chama “viagra cerebral”,  podem ser substituídos por substâncias naturais ou por actividades diárias que estimulam a mente. Aqui entra o “fitness cerebral”, que consiste na actividade intelectual continua, em exercícios mnemónicos, na aprendizagem de novas habilidades, no cultivo da atenção, na actividade física regular, na alimentação saudável e num bom sono.
Jogos de memória
“Estimular a actividade cerebral é fundamental para evitar a amnésia”, diz Cláudia Pereira. A doença conhecida pela perda parcial ou total da memória tem como principais causas o avançar da idade, a depressão, o stress, a ansiedade, a falta de vitamina B1, a doenças da tiróide, tumores cerebrais e encefaleias, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson.
O Alzheimer é uma doença secular, genética que afecta 18 milhões de pessoas em todo o mundo e tem como factores de risco pessoas com baixo nível de literacia, com genes de risco, com história familiar de demência ou pessoas com síndrome de Down. Daí a importância de exercitar o cérebro.
A este propósito, a investigadora falou na ajuda que a PS 3 pode desenvolver ao nível da preparação de simulações de enrolamentos de proteínas que ajudam nos estudos sobre Alzheimer, Parkinson, entre outras doenças, um projecto a cargo da Universidade de Stanford.
Além dos métodos de prevenção e combate a doenças neuro degenerativas, Cláudia Pereira falou do Síndrome de Savant, que “ao contrário das restantes doenças se caracteriza pela existência de grande talento ou habilidade, contrastando fortemente com limitações mentais”.

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