Sabe onde fica Maringá? Pois é, no sul do Brasil, mais propriamente no estado do Paraná. Mas essa localização geográfica pode variar de pessoa para pessoa. Para Luís Filipe Menezes, o vencedor das eleições directas para a presidência do PSD, Maringá é uma cidade que fica no meio da Amazónia. Segundo Menezes, o PSD tem nesse local 200 militantes que “devem ser os índios yanomami, com certeza”.
Ora, o senhor Menezes, enquanto candidato à presidência do seu partido, deveria certificar-se de que os seus dados estavam correctos. Então o senhor lança a polémica e depois nem sequer sabe quem são nem onde estão esses ditos militantes? Perece que o presidente do maior partido da oposição anda um pouco descuidado do estudo da geografia. Para além disso, a matemática também não é a sua especialidade, pois são apenas 22 os militantes do PSD em Maringá. E não, não são índios. São portugueses como nós que emigraram para o Brasil e que mantêm aí a sua militância no PSD (depois deste episódio, não se sabe até quando).
Certamente que Luís Filipe Menezes nunca ouviu falar do Centro Português de Maringá, cujo presidente Joaquim Fernandes da Costa é, vejam só, eleitor do PSD. Curiosamente, depois de tanta preocupação em descobrir militantes em qualquer local e de qualquer etnia, Maringá não teve eleições para as directas, o que não impediu a vitória do opositor de Marques Mendes.
Menezes já não se deve lembrar (ou desconhece de todo) daquele grupo de brasileiros que veio, em 2006, repovoar Vila de Rei, um projecto da Câmara Municipal para combater o envelhecimento da população naquele local. Essas pessoas que deixaram tudo em busca do “sonho americano” eram naturais de Maringá. Será que nessa altura Maringá ficava na Amazónia e o presidente do PSD ficou confundido? Obviamente que não. O problema é que, nesta corrida desenfreada à presidência de um partido, os candidatos não estão com meias medidas e fazem de tudo para garantir a chegada à meta em primeiro lugar, mesmo que para isso tenham que dizer as maiores barbaridades do mundo.