O equivalente a um ou dois copos de vinho pode reforçar a lembrança, confirma uma pesquisa realizada por um grupo de investigadores da Universidade de Auckland.
Esta conclusão foi apresentada pela investigadora do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, Cláudia Pereira, na conferência “Quando a memória nos atraiçoa”. O debate, enquadrado no ciclo “conversas com cientistas”, decorreu no Museu da Ciência, instalado no Laboratório Chimico na “cidade dos estudantes”.
Após a realização de estudos efectuados com ratos, os cientistas asseguram que o etanol tem propriedades que diluem o sangue e baixam o colesterol. Assim, a demência, originada, na maioria dos casos, por problemas vasculares, pode ser evitada. Desta forma, é muito provável que a existência de álcool no organismo reduza para metade o risco de contracção da doença de Alzheimer.
Maggie Kalev, investigadora da Universidade de Auckland, assegura que “uma quantidade de álcool estimula a lembrança de estímulos altamente emotivos, o que leva a pensar que é pouco provável que a ideia de beber para esquecer esteja certa”. E este benefício não se restringe apenas ao vinho, incluindo também bebidas destiladas e cerveja, acrescenta um artigo da revista médica Lancet.
Por outro lado, esta pesquisa alerta também para o facto de o consumo excessivo de álcool ser prejudicial para o cérebro, embora em momentos emotivos possa reforçar as memórias negativas.
C
afé pode travar a doença de Alzheimer
Em plena semana da ciência e tecnologia, Cláudia Pereira anuncia ainda que o consumo de “mais de três chávenas de café por dia melhora o desempenho em testes de memória em mulheres com mais de 65 anos”.
A influência do café na prevenção da doença de Alzheimer parece ser significativa, e a investigadora considera que a cafeína pode funcionar como “um princípio activo de fármacos em doenças neurodegenerativas”.
Muitos dos estudos desenvolvidos pela equipa do Centro de Neurociências incidem sobre a doença de Alzheimer. Os seus objectivos são identificar métodos terapêuticos e testar substâncias activas potencialmente neuroprotectoras.
Esta doença afecta, actualmente, 20 milhões de pessoas no mundo e o seu crescimento é cada vez mais acelerado. Daí a importância que a equipa da área de Neurociência e Doenças, de que Cláudia Pereira faz parte, dá às tentativas de compreensão dos mecanismos da perda de memória.
A este respeito, a investigadora anunciou ainda a existência de outras estratégias aplicadas no combate à amnésia. As smart drugs, como é o caso de cápsulas como Brainspeed ou Megamemory, são algumas das substâncias utilizadas naquilo a que a cientista chama botox cerebral.
Estes comprimidos são, hoje, muito solicitados. Autênticos estimulantes cognitivos, para a comunidade estudantil significam cada vez mais uma forma de melhorar a sua capacidade de concentração.
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Diana Costa



